Ele e Ela

foi-se. foram horas e horas sem dormir com; medo. a febre fazia-me delirar. não sei como, nem porquê. apoderava-se de mim. tanto o olhar dela como os gritos não saíam da minha cabeça, recusavam em irem-se embora. estava aterrorizada, agarrada à única mão que era capaz de me acalmar e de me socorrer de todos os perigos. incógnitas de uma vida; um reinado; um império perdido. renasceu, para além do que meus olhos conseguem captar. é extremamente estranho, para meu ser. as cores do horizonte variam, é confuso, pois eu não compreendo e nunca irei compreender. uma cadeira, que com um simples piscar de olhos; sumiu. e eu(?) continuo a delirar. febre sobe, febre desce. já nem os medicamentos curam; pois não os tomo. a música toca suavemente. o pano molhado toca-me a testa; "está gelado; inteiramente gelado". o meu corpo está parcialmente dividido; está morto, está vivo. os dedos negros, tocam a caneta. escreve, risca, rascunhos, pensamentos obtidos sem sentido. uma tristeza incontrolável, onde as lágrimas são a minha única felicidade. Ela e Ele curam-me de todo o mal; com dois beijos sentidos na testa, mesmo quando as lágrimas caiem e não dá para conter. um desabafo; eles ouvem mas não falam, aliviam apenas(!)


beatriz rocha, vinte sete de março de dois mil e onze


(inspiração, zero)

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