fases incompreensíveis

de uma vida complicada surgiram alguns desafios, ou provavelmente ao contrário. porém não tenho fortes, e as complicações surgem das coisas mínimas. evito um olhar, um toque, uma palavra. qualquer coisa me magoa, ou me ilude, é igual. da ilusão surge a mágoa, da mágoa uma ilusão. o que seria o nosso sustento se as ilusões não existissem? passamos a vida a questionar-nos porquê que em cada passeio nosso não há uma nota(?) porquê que os elefantes não têm asas(?) porquê que não conseguimos voar(?) eu aprendi a voar, porém a minha habilidade aponta para cair. mas cair não implica ser sinónimo de fraca. das fraquezas surgem as maiores forças, as forças que certo dia foram esquecidas. esquecidas e arrumadas juntamente com uns quantos trajes velhos e antiquados que traziam más memórias, essas acredito eu serem boas. e numa confusão que o vento insiste em levar e trazer novamente vezes sem conta, vieste tu que confundiste a minha mente. pensamentos sujos, limpos pela tua voz. voz doce e suave que me consome. que estupidez, o amor é para os fracos. perdoai-me então minha gente, sou fraca. despertaste em mim um novo sentido de vida, mas muitas das vezes não me deixaste tirar proveito dele, e as que tirei foram essas poucas. meras páginas podem conter inúmeros sentimentos. há quem as leia sem se aperceber que quem as escreveu estava a sofrer, ou pelo menos fingiu bem o sofrimento. enoja-me gente com a mania que é moralista, onde a sua moral é pouca, mas insistem em dizer que é imensa. divagar para os céus. nem sempre eles nos ouvem. ser metódico inexistente. toda a gente vê, só não vê quem está atacado pela cegueira. cegueira distinta da cegueira comum, ou será esta cegueira que se manifesta em toda a gente? manifestações surreais, estranhas e desiguais. nunca se viu, passou-se a ver, quem não conhecia passou a conhecer. conhecimentos trazidos por um outrem distinto. outrem que se destacou, que já é de à muito tempo mas somente agora me cativou. os seus lábios tocaram os meus. uma mente dividida em duas pessoas, a escolha certa e a errada. o passado a gente embrulhou e guardou numa gaveta trancada a sete chaves. porém os seus fantasmas insistem em perseguir-nos. pôs-se o sol, sol já sem brilho algum. a escuridão surgiu. trouxe com ela um presente; a imensa dor da saudade. saudade profunda. com lentidão morre a minha alma. morte confirmada; o amor é a causa. absurdo. gente da minha terra que insiste em pagar a dor com altos salários; escassos. nem o alto valor de uma nota repara danos irreparáveis. ainda assim mantenho-me viva. o bater do teu coração alimenta a minha fome absurda de realidade. despeço-me agora dos "sonhos" e das cusquices de gente mal-formada. as mentiras que transmitem ao povo não nos fazem crescer em nada.


(beatriz rocha lapa, 11111)

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